Chega um ponto em que escrever qualquer coisa e nada é a mesma coisa. O importante é estar descalço, porque quem é calça é calçada e eu estou cansado de viver no meio fio. O morno não aquece, ele ameniza. O morno é falso. E eu estou saturado desse concentrado de falsas emoções hipócritas mal adjetivadas, destinadas ao clichê pronominal da própria qualidade, dúbias, que escapam osmoticamente de mim. Eu quero o ácido, o reativo. Foi escrito na voz passiva. Não serve. Eu quero o brilho incandescente dos teus olhos, e que eles não pisquem e nem desviem o olhar de mim. Eu quero o monopólio completo de cada milímetro de água que compõe o teu corpo. Em ebulição. Eu quero os dedos, até que a saliva inunde por completo as falanges. Você sabe que eu compro. Mas eu quero me endividar. E escolher onde o período começar eu quero. E deter não pode você. Sem concordar. Você me diz frases bonitas, mas eu quero sílabas silenciadas num silvo. E que faça de novo o que você nem sabe que faz, mas me torna feliz. Eu quero o abraço sufocante e perder o fôlego tentando tomar ar. É como fumar um cigarro ao contrário. Te tomar entre os meus dedos e te tragar [para dentro].
Nenhum comentário:
Postar um comentário